Os números
mostram que o Brasil, para atingir a meta de
US$ 5 bilhões em exportação
de software até 2010 e até mesmo
para se tornar competitivo no mercado de tecnologia
da informação como um todo, precisará
formar 100 mil profissionais qualificados até
o final da década. Isso inclui entendimento
técnico e fluência em inglês.
Esse último é um grande obstáculo
para as empresas brasileiras que, tendo em vista
um mercado cada vez mais competitivo, precisam
que seus funcionários dominem o idioma
mundial, entendido na maioria dos congressos
e reuniões de negócios. Como as
universidades brasileiras vêm trabalhando
para preparar os jovens para o mercado de trabalho?
Qual o atual estágio dos profissionais
ativos em relação à fluência
do inglês? Como esse segundo idioma pode
expandir ou atrapalhar os negócios das
companhias do país ou aqui instaladas?
Em entrevista exclusiva ao TIC Educação,
Cristina Schumacher, diretora da Alinca, empresa
que faz avaliação e orientação
customizada de inglês corporativo, em
diferentes áreas e mercados, explicou
o panorama brasileiro em relação
ao tema.
TIC – Qual a importância
do inglês no cotidiano empresarial diante
do mercado competitivo e da conseqüente
necessidade de uma linguagem eficiente de comunicação?
Cristina Schumacher - É
consenso geral que o desconhecimento de inglês
causa prejuízo para os negócios.
O que faz com que empresários esqueçam
desse fato é que esse prejuízo
ocorre não pelos maus negócios,
efetivamente realizados, mas por tantos negócios
que deixam de ser feitos. Não saber inglês
é isolar-se de acontecimentos empresariais
importantes, do ponto de vista estratégico.
Do ponto de vista operacional, é perder
de conhecer ferramentas, realizar contatos e
estabelecer um bom fluxo de comunicação
com interlocutores internacionais na indústria
ou mercado em que atuamos. No caso de empresas
internacionais, com escritórios no Brasil,
é ainda mais grave em virtude do fluxo
de informações dentro da organização,
que invariavelmente se dá em inglês.
TIC – De que forma o
domínio da língua inglesa pelos
profissionais pode expandir os negócios
da empresa?
Cristina Schumacher - Essa
pergunta tem tantas repostas quanto os resultados
de uma busca no Google, em inglês, detalhando
os serviços e produtos da empresa interessada
em expandir seus negócios.
TIC – As universidades
brasileiras não têm fornecido elementos
para que os alunos tenham condições
de obter o inglês como segunda língua.
No entanto, seleção para mestrado
é solicitado uma língua e doutorado
duas línguas. Está na hora de
incluir o inglês na Reforma Universitária?
Cristina Schumacher - O inglês
deveria ser parte de todos os currículos.
As pesquisas feitas em inglês na internet,
em qualquer área, são mais numerosas
e mais ricas em seus resultados. É impensável,
em condições ideais, um profissional
de qualquer área que não saiba
inglês para manter-se atualizado nos acontecimentos
mais recentes em seu campo de atuação.
Uma vez que o ideal não é sempre
– na verdade, é quase nunca –
fácil de concretizar, poderíamos
fazer com que nossas universidades contassem
com, pelo menos, uma modalidade de ensino de
inglês que permitisse pesquisas e leitura
e alguma redação simples. Uma
formação com carga horária
reduzida, realmente focada no que popularmente
se denomina um curso instrumental do idioma.
TIC - Como está o nível
de inglês dos profissionais da TI brasileira?
Cristina Schumacher - Nossos
profissionais de tecnologia têm inúmeros
problemas de comunicação internacional.
Muitos até conseguem algum nível
de interação a um preço
que é, a meu ver, muito alto, pois a
quantidade de imprecisões gramaticais,
geralmente, cometidas acaba por interferir na
imagem de técnico e profissional de qualidade
do profissional brasileiro de TI. Poucos povos
passaram pelo “treinamento” intensivo
para adaptação e agilidade que
os nossos diversos planos econômicos significaram.
Uma grande quantidade de profissionais de tecnologia
que atuaram em bancos e instituições
financeiras sabe disso. Imagine tantos anos
de inflação e mudanças
radicais em tempos curtíssimos. Esse
tipo de experiência nos deu uma condição
de resolução de problemas ímpar,
e é a isso que me refiro quando falo
na qualidade dos nossos profissionais, seja
como instrutores, como os próprios profissionais
ou ainda como herdeiros de uma cultura de trabalho
da área de tecnologia.
TIC – A escassez de
profissionais que dominam o inglês é
hoje um obstáculo para o desenvolvimento
da TI no Brasil?
Cristina Schumacher - É
um obstáculo, sim. Ao mesmo tempo encerra
uma oportunidade excepcional para soluções
simples e eficazes nessa área. Não
podemos esperar que as pessoas freqüentem
cursos de inglês com a expectativa de
desempenho de falantes nativos, dedicando longos
e entediados anos a um estudo desconectado de
suas dúvidas e necessidades comunicativas
prementes.