Profissionais de TI têm problemas de comunicação internacional por falta de fluência em inglês

por Revista TIC Brasil

16/06/2008

Os números mostram que o Brasil, para atingir a meta de US$ 5 bilhões em exportação de software até 2010 e até mesmo para se tornar competitivo no mercado de tecnologia da informação como um todo, precisará formar 100 mil profissionais qualificados até o final da década. Isso inclui entendimento técnico e fluência em inglês. Esse último é um grande obstáculo para as empresas brasileiras que, tendo em vista um mercado cada vez mais competitivo, precisam que seus funcionários dominem o idioma mundial, entendido na maioria dos congressos e reuniões de negócios. Como as universidades brasileiras vêm trabalhando para preparar os jovens para o mercado de trabalho? Qual o atual estágio dos profissionais ativos em relação à fluência do inglês? Como esse segundo idioma pode expandir ou atrapalhar os negócios das companhias do país ou aqui instaladas? Em entrevista exclusiva ao TIC Educação, Cristina Schumacher, diretora da Alinca, empresa que faz avaliação e orientação customizada de inglês corporativo, em diferentes áreas e mercados, explicou o panorama brasileiro em relação ao tema.

TIC – Qual a importância do inglês no cotidiano empresarial diante do mercado competitivo e da conseqüente necessidade de uma linguagem eficiente de comunicação?

Cristina Schumacher - É consenso geral que o desconhecimento de inglês causa prejuízo para os negócios. O que faz com que empresários esqueçam desse fato é que esse prejuízo ocorre não pelos maus negócios, efetivamente realizados, mas por tantos negócios que deixam de ser feitos. Não saber inglês é isolar-se de acontecimentos empresariais importantes, do ponto de vista estratégico. Do ponto de vista operacional, é perder de conhecer ferramentas, realizar contatos e estabelecer um bom fluxo de comunicação com interlocutores internacionais na indústria ou mercado em que atuamos. No caso de empresas internacionais, com escritórios no Brasil, é ainda mais grave em virtude do fluxo de informações dentro da organização, que invariavelmente se dá em inglês.

TIC – De que forma o domínio da língua inglesa pelos profissionais pode expandir os negócios da empresa?

Cristina Schumacher - Essa pergunta tem tantas repostas quanto os resultados de uma busca no Google, em inglês, detalhando os serviços e produtos da empresa interessada em expandir seus negócios.

TIC – As universidades brasileiras não têm fornecido elementos para que os alunos tenham condições de obter o inglês como segunda língua. No entanto, seleção para mestrado é solicitado uma língua e doutorado duas línguas. Está na hora de incluir o inglês na Reforma Universitária?

Cristina Schumacher - O inglês deveria ser parte de todos os currículos. As pesquisas feitas em inglês na internet, em qualquer área, são mais numerosas e mais ricas em seus resultados. É impensável, em condições ideais, um profissional de qualquer área que não saiba inglês para manter-se atualizado nos acontecimentos mais recentes em seu campo de atuação. Uma vez que o ideal não é sempre – na verdade, é quase nunca – fácil de concretizar, poderíamos fazer com que nossas universidades contassem com, pelo menos, uma modalidade de ensino de inglês que permitisse pesquisas e leitura e alguma redação simples. Uma formação com carga horária reduzida, realmente focada no que popularmente se denomina um curso instrumental do idioma.

TIC - Como está o nível de inglês dos profissionais da TI brasileira?

Cristina Schumacher - Nossos profissionais de tecnologia têm inúmeros problemas de comunicação internacional. Muitos até conseguem algum nível de interação a um preço que é, a meu ver, muito alto, pois a quantidade de imprecisões gramaticais, geralmente, cometidas acaba por interferir na imagem de técnico e profissional de qualidade do profissional brasileiro de TI. Poucos povos passaram pelo “treinamento” intensivo para adaptação e agilidade que os nossos diversos planos econômicos significaram. Uma grande quantidade de profissionais de tecnologia que atuaram em bancos e instituições financeiras sabe disso. Imagine tantos anos de inflação e mudanças radicais em tempos curtíssimos. Esse tipo de experiência nos deu uma condição de resolução de problemas ímpar, e é a isso que me refiro quando falo na qualidade dos nossos profissionais, seja como instrutores, como os próprios profissionais ou ainda como herdeiros de uma cultura de trabalho da área de tecnologia.

TIC – A escassez de profissionais que dominam o inglês é hoje um obstáculo para o desenvolvimento da TI no Brasil?

Cristina Schumacher - É um obstáculo, sim. Ao mesmo tempo encerra uma oportunidade excepcional para soluções simples e eficazes nessa área. Não podemos esperar que as pessoas freqüentem cursos de inglês com a expectativa de desempenho de falantes nativos, dedicando longos e entediados anos a um estudo desconectado de suas dúvidas e necessidades comunicativas prementes.

 
 
 
 
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