Cristina Schumacher em entrevista ao portal Baguete Tecnologia e Informação
Inglês - fale só o necessário!
A carência de profissionais fluentes em inglês. A velha ?rixa? da TI é o tema da Entrevista da Semana do Baguete Diário, que traz a diretora da Alinca, Cristina Schumacher, falando não apenas da necessidade desta qualificação nos currículos, mas também da orientação que deve ser seguida pelas empresas na hora de buscar um novo contratado.
Que nível de língua inglesa exigir? De que forma fazer o nivelamento nos processos de seleção? Estas e outras perguntas são respondidas abaixo, pela consultoria porto-alegrense que há anos atua no mercado de inglês corporativo, atendendo a clientes como Dell Computadores, CPM, Stefanini e DBA, entre outros, além de trabalhar em conjunto com a Brassscom na concessão da certificação Englisoft.
Qual é o trabalho da Alinca?
Cristina Schumacher: A Alinca faz a avaliação e orientação customizada de inglês corporativo, em diferentes áreas e mercados. Realizamos o mapeamento detalhado das habilidades comunicativas em inglês necessárias a cada profissional, além de publicarmos livros de referência para o setor de ensino-aprendizagem de línguas estrangeiras para brasileiros. Hoje, são mais de 100 mil exemplares já vendidos. Além disso, temos nosso sistema de testes de conhecimentos de inglês, que estabelece metas de aprendizagem distribuídas em níveis que correspondem às faixas de exposição ao idioma nas empresas.
Conforme suas mais recentes avaliações, como está o nível de inglês dos profissionais da TI brasileira?
Cristina Schumacher: Para a área de negócios, insuficiente. Os profissionais têm, em geral, a formação de inglês fornecida por escolas tradicionais, que oferecem um conteúdo muito genérico e voltado a vender a cultura anglo-americana. Desta forma, as pessoas aprendem inglês de uma maneira muito abrangente, com expectativas muito altas, sem foco em necessidades específicas.
E vocês nivelam este conhecimento através da metodologia de testes e capacitação por nível de exposição?
Cristina Schumacher: Sim. Estes níveis de exposição são criação nossa. Em muitas empresas há profissionais já empregados que não detêm o conhecimento de inglês suficiente para o cargo que ocupam. Criamos, então, os chamados níveis de exposição, que auxiliam as organizações no sentido de investirem somente o necessário para que cada colaborador, área ou departamento atinja a formação em língua inglesa adequada para suas funções. Para programador, por exemplo, o inglês é um, enquanto para gestor, é outro.
Como funciona a certificação Englisoft?
Cristina Schumacher: Trata-se de uma certificação que a Brasscom (Associação das Empresas Brasileiras de Software e Serviços) nos contratou em 2005 para desenvolver. Lançada em 2006, ela é direcionada a profissionais de TI que desejam atestar seus conhecimentos de inglês. Por meio da Englisoft, as empresas podem avaliar seus contratados ou contratandos de acordo com três níveis de domínio da linguagem: programador, gerente e negociador.
Você diria que a questão do inglês é hoje um gargalo para o desenvolvimento da TI brasileira?
Cristina Schumacher: Com certeza. A carência de profissionais habilitados em inglês para necessidades específicas de negócios atrapalha muito a evolução da TI brasileira, pois imagine negociar com uma empresa estrangeira sem dominar o inglês, ou com inglês ruim. Isso depreda a imagem, a credibilidade da companhia brasileira. Além disso, há cada vez mais a questão das fusões. Por conta delas, diversos profissionais acabam subindo de posto dentro das organizações por ter maiores noções de inglês, muito embora conheçam menos de TI do que outros. O fato é que estes colaboradores, por saberem se comunicar em língua inglesa, vão inspirar confiança, boa imagem, nas tratativas internacionais.